Éramos três meninas. Eu, minha irmã e minha prima. Iguais a muitas outras daquele tempo. Brincávamos o dia inteiro no quintal de casa. Ele não era muito grande com muitas árvores, mas tinha uma figueira. Coitada, morreu de tanto a gente se balançar nela com uma corda. A figueira era pequena e delicada, por isso não aguentou. Minha avó reclamava quando mexíamos com as galinhas, mas com a figueira não.
Mas quando as férias chegavam...Copacabana! Íamos para a praia. Casa do tio Luiz, e lá estava também a BARRACA.
Dormíamos as três num grande sofá cama no escritório e pra variar tinha sempre uma sessão de risos incontroláveis antes de dormir.
Acordar cedo e praia!
Fila no banheiro, café com leite, bolo da Bentinha e praia!
Passar pela área de serviço, pegar a BARRACA e praia!
Ela ficava bem perto, era só atravessar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, depois a Atlântica que naquela época tinha só uma pista e pronto, praia.
Meu tio escolhia o lugar e enfiava a BARRACA na areia, sempre observando o lado que o vento soprava. Ao abri-la estava tudo lá. Muitas notas dobradas ao comprido e presas nas varetas. Era só esperar o vendedor passar. Sorvete, biscoito globo, mate, nossa como era bom o mate!Melhor pingando limão.
A BARRACA ficava lá e íamos todos para o mar. Meu tio adorava nos ensinar a correr, sem jogar os pés para cima, e a nadar. Íamos lá no fundo, depois da arrebentação.
Quando voltávamos, ela estava lá, a BARRACA com o dinheiro pendurado. Ninguém tinha mexido. E podíamos gastar tudo. Meu tio nunca errava na conta. Quando o dinheiro acabava estava na hora certa de voltar pra casa.