" Sinto falta de você como quem não pode ver as flôres com alegria, o amanhecer com poesia ou o sol no meio do dia."
Isso é parte da letra de uma música que fiz há algum tempo quando estava com muita saudade de alguém. Nem sempre podemos estar perto de quem gostamos e isso entristece. Pior ainda quando essas pessoas estão irremediavelmente longe de nós,quando papai do céu nos separou, por ser simplesmente o inevitável e certo.Sinto muita saudade da minha mãe. Pensei muito nela ontem e nos momentos de muita saudade da minha vida. Lembrei da música que falei e de outras mais alegres. Já fiz várias músicas quando ainda dedilhava no violão. Hoje só escrevo(vou comprar um violão de novo qualquer dia). A inspiração era sempre um sentimento tipo saudade, paixão, amor, amizade, desejos,sonhos. Compondo ou escrevendo tento fazer da tristeza alguma coisa bonita ou pelo menos mais agradável.
Alguém disse que não devemos passar pela vida sem plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Árvores, já plantei muitas. Filhos tive dois e livro, acho que vou fazer uma adaptação para blog. Ao plantar árvores, preservamos o planeta. Ao ter filhos, preservamos a espécie e ao escrever preservamos as idéias. Por isso não faz muita diferença um livro ou um blog.
Já contei aqui passagens da minha vida com amigos, filhos, amores. Já falei do que sinto e como sou. Não como exemplo nem com pretenções de escritora, mas como quem gosta de ler e sabe que qualquer tipo de leitura nos enriquece. Mesmo aquelas que não conseguimos chegar ao fim, nos dizem alguma coisa.
Espero que esse blog sirva para preservar minhas idéias, mesmo que só eu o leia.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Éramos um trio
Nossa diferença de idade era pouca. Minha irmã um ano mais velha e minha prima 2 anos mais nova. Morávamos praticamente na mesma casa. Minha tia em baixo, com minha avó paterna Deolinda meu tio e minha prima,(só depois meu primo também). Em cima meus pais, minha irmã, eu e minha avó materna Dalila. O quintal pertencia às duas casas. Não era muito grande mas cabia todas as nossas brincadeiras. Bicicleta, patins, bola, bonecas. Essas, tinham um lugar mais especial. Eu e minha prima adorávamos fazer cabana em cima de uma laje que cobria o tanque da casa de baixo. Ficávamos a tarde toda la em cima brincando. Tinha também um galinheiro e uma pequena horta com couve e outras hortaliças plantados pela minha avó Deolinda, que também cuidava das galinhas.
Nossas vidas foram compartilhadas durante toda a nossa infância e adolescência.
Crescemos, tivemos nossos filhos que brincaram no quintal que descobriram o telhadinho pra soltar pipa, que não conheceram mais o galinheiro nem a horta cheia de joaninhas nas couves, mas que inventaram um mini golf, uma cesta de basquete e uma rampa de skate.
Mas o quintal de repente ficou vazio. Não tem som de bola, de risos, de patins, de musica. Ficou cinza e triste. Literalmente cinza porque o chão, antes pintado de vermelho recebeu nova tinta.
Tenho um outro quintal hoje onde recebo meus netos mas o som não é o mesmo. É alegre também mas diferente.O primeiro era dos meus pais, agora é o meu.
Nossas vidas foram compartilhadas durante toda a nossa infância e adolescência.
Crescemos, tivemos nossos filhos que brincaram no quintal que descobriram o telhadinho pra soltar pipa, que não conheceram mais o galinheiro nem a horta cheia de joaninhas nas couves, mas que inventaram um mini golf, uma cesta de basquete e uma rampa de skate.
Mas o quintal de repente ficou vazio. Não tem som de bola, de risos, de patins, de musica. Ficou cinza e triste. Literalmente cinza porque o chão, antes pintado de vermelho recebeu nova tinta.
Tenho um outro quintal hoje onde recebo meus netos mas o som não é o mesmo. É alegre também mas diferente.O primeiro era dos meus pais, agora é o meu.
Orfã
Não sei se consigo terminar esse texto. Já tentei outras vezes mas os olhos embaçam, a mão para e a cabeça trava. Chorar é fácil pra mim. Não que eu queira mas as lágrimas brotam como uma nascente.
Já fazem dois anos que minha mãe morreu. Já não tinha meu pai há seis anos. Fiquei orfã. Com cinquenta e tal falar em ficar orfã é estranho, mas o que senti ao perceber que não tinha mais os dois foi algo muito ruim. Um vazio sem fim, uma dor!
A cabeça não parava, veio tudo a tona. Coisas boas, coisas tristes,o que podia ter feito,o que não devia ter feito. A vontade de dizer tudo que não foi dito e querer ser escutada. A vontade de apagar o que disse sem pensar e fazer o que não foi feito.
Aos poucos percebi que fiz tudo, disse tudo. Que amei os dois com toda a sinceridade e intensidade de uma filha agradecida e orgulhosa dos pais que teve.Que não podia ter sido diferente e foi tudo muito bom. Só faria diferente se fosse para tê-los ainda comigo.Mas...não sou eu quem decide.
Muitas vezes sonho com tempos já vividos e vivos dentro de mim. Queria que fosse como no livro A Cabana, um encontro com eles. Porque o pior, é a vontade que permanece e acho que não acaba nunca,de abraçar, de acariciar, de sentir mão na mão, pele com pele.
Ainda choro como agora. Paro, respiro, não molho o teclado e a cabeça ferve.
Já fazem dois anos que minha mãe morreu. Já não tinha meu pai há seis anos. Fiquei orfã. Com cinquenta e tal falar em ficar orfã é estranho, mas o que senti ao perceber que não tinha mais os dois foi algo muito ruim. Um vazio sem fim, uma dor!
A cabeça não parava, veio tudo a tona. Coisas boas, coisas tristes,o que podia ter feito,o que não devia ter feito. A vontade de dizer tudo que não foi dito e querer ser escutada. A vontade de apagar o que disse sem pensar e fazer o que não foi feito.
Aos poucos percebi que fiz tudo, disse tudo. Que amei os dois com toda a sinceridade e intensidade de uma filha agradecida e orgulhosa dos pais que teve.Que não podia ter sido diferente e foi tudo muito bom. Só faria diferente se fosse para tê-los ainda comigo.Mas...não sou eu quem decide.
Muitas vezes sonho com tempos já vividos e vivos dentro de mim. Queria que fosse como no livro A Cabana, um encontro com eles. Porque o pior, é a vontade que permanece e acho que não acaba nunca,de abraçar, de acariciar, de sentir mão na mão, pele com pele.
Ainda choro como agora. Paro, respiro, não molho o teclado e a cabeça ferve.
Assinar:
Postagens (Atom)