Não sei se consigo terminar esse texto. Já tentei outras vezes mas os olhos embaçam, a mão para e a cabeça trava. Chorar é fácil pra mim. Não que eu queira mas as lágrimas brotam como uma nascente.
Já fazem dois anos que minha mãe morreu. Já não tinha meu pai há seis anos. Fiquei orfã. Com cinquenta e tal falar em ficar orfã é estranho, mas o que senti ao perceber que não tinha mais os dois foi algo muito ruim. Um vazio sem fim, uma dor!
A cabeça não parava, veio tudo a tona. Coisas boas, coisas tristes,o que podia ter feito,o que não devia ter feito. A vontade de dizer tudo que não foi dito e querer ser escutada. A vontade de apagar o que disse sem pensar e fazer o que não foi feito.
Aos poucos percebi que fiz tudo, disse tudo. Que amei os dois com toda a sinceridade e intensidade de uma filha agradecida e orgulhosa dos pais que teve.Que não podia ter sido diferente e foi tudo muito bom. Só faria diferente se fosse para tê-los ainda comigo.Mas...não sou eu quem decide.
Muitas vezes sonho com tempos já vividos e vivos dentro de mim. Queria que fosse como no livro A Cabana, um encontro com eles. Porque o pior, é a vontade que permanece e acho que não acaba nunca,de abraçar, de acariciar, de sentir mão na mão, pele com pele.
Ainda choro como agora. Paro, respiro, não molho o teclado e a cabeça ferve.