Nossa diferença de idade era pouca. Minha irmã um ano mais velha e minha prima 2 anos mais nova. Morávamos praticamente na mesma casa. Minha tia em baixo, com minha avó paterna Deolinda meu tio e minha prima,(só depois meu primo também). Em cima meus pais, minha irmã, eu e minha avó materna Dalila. O quintal pertencia às duas casas. Não era muito grande mas cabia todas as nossas brincadeiras. Bicicleta, patins, bola, bonecas. Essas, tinham um lugar mais especial. Eu e minha prima adorávamos fazer cabana em cima de uma laje que cobria o tanque da casa de baixo. Ficávamos a tarde toda la em cima brincando. Tinha também um galinheiro e uma pequena horta com couve e outras hortaliças plantados pela minha avó Deolinda, que também cuidava das galinhas.
Nossas vidas foram compartilhadas durante toda a nossa infância e adolescência.
Crescemos, tivemos nossos filhos que brincaram no quintal que descobriram o telhadinho pra soltar pipa, que não conheceram mais o galinheiro nem a horta cheia de joaninhas nas couves, mas que inventaram um mini golf, uma cesta de basquete e uma rampa de skate.
Mas o quintal de repente ficou vazio. Não tem som de bola, de risos, de patins, de musica. Ficou cinza e triste. Literalmente cinza porque o chão, antes pintado de vermelho recebeu nova tinta.
Tenho um outro quintal hoje onde recebo meus netos mas o som não é o mesmo. É alegre também mas diferente.O primeiro era dos meus pais, agora é o meu.
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