quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sessenta



 Dizem que os anos pesam. Em algumas pessoas até podemos notar esse peso. Como se a vida, as tivesse deixado cansadas dos fardos que carregaram nas costas. Em outras pessoas porém, não notamos esse peso, apesar de um sofrimento visível por doença, perda de alguém amado ou qualquer outro motivo. São pessoas sempre em paz que nos passam calma.
 Suponho que esse fardo sejam as mágoas, decepções, sofrimento.
A verdade é que todos nós já nos magoamos, nos decepcionamos, sofremos, por algum motivo ao longo da passagem dos anos.O que difere cada um é o modo  como carregam esses fardos. Alguns os transformam em algo leve, outros os deixam em algum lugar talvez, outros os tornam cada dia mais pesados colocando pedras a cada passo do caminho. Pedras, que poderiam ter ficado por lá.
Talvez nem seja uma questão de idade,seja uma maneira de encarar a vida e suas dificuldades. Uns reclamam de tudo, outros além de sorrir conseguem transmitir essa alegria. Será um dom, fé, sorte? Não sei.
Sei que meus sessenta anos não me pesam, me sinto leve e em paz.
Ao longo deles fui diversificando as coisas que gosto, aprendendo a me sentir feliz quando as faço e isso não é difícil porque são coisas simples como:
Gostar dos dias ensolarado,de nadar no mar e de andar na areia sozinha.
Gostar de conversar, de rir, de abraçar.
Gostar de dançar, de música, de cantar.
Gostar de estrada , de dirigir, de viajar.
Gostar de cerveja e de fazer comidinhas gostosas.
Gostar de filmes, de livros, de TV.
Gostar de artesanato, de tricot, de croché.
Gostar de escrever, de planejar e de mudar os planos.
Gostar de ver fotos, de lembrar do que já vivi, de sonhar.
Gostar de  pessoas, de me ver no espelho, de mim.
Isso tudo e mais alguma coisa me deixam muito feliz e sem o falado peso dos anos.
Será um dom, fé ou sorte? Não sei.



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