Tínhamos pouco tempo de Recife. Eu e meus filhos sozinhos numa cidade diferente! Novo trabalho, escola nova, novos amigos.
Estávamos bem, mas um pouco presos por estar sem um carro.
Tinha vendido minha Brasília no Rio e o dinheiro era pouco. Acabei comprando outra Brasília, mais velha. Bem que Gustavo me disse na sabedoria de seus sete aninhos: Mãe não compra esse carro! Mas eu comprei e é claro fiquei pouco tempo com ele.
Depois de muitos problemas, ele resolveu sem mais nem menos sair da vaga da garagem do prédio e bater no muro. Vendi.
Foi então que entrou nas nossas vidas o 14 BIS.
Ele nos levou a inúmeras aventuras pelo nordeste. Valente e atrevido nunca nos deixou em apuros. Certo dia, levei sete crianças mais duas bicicletas para o Parque da Jaqueira. Íamos rindo de tudo naquele aperto.
E nas enchentes! Os moleques ficavam na calçada esperando os carros enguiçarem para empurrarem. Parei, olhei a rua alagada e lá fomos nós. A água subiu como uma onda por cima do capô chegando a cobrir metade do vidro da frente. Mas 14 BIS não parou. Atravessamos, e os meninos ficaram sem os trocados que estavam certos que iriam receber.
Outra vez vínhamos de Porto de Galinhas. A estrada naquela época era barro puro e quando chovia ninguém passava. A alternativa era um estradinha de areia que margeava a praia e entrava pela mata. Eram três carros, eu no meio para ser vista, caso tivesse algum problema.Eu viajava com as crianças e meus amigos tinham cuidado comigo. Para passar naquela estrada o segredo era não parar de jeito nenhum. Se isso acontecesse o carro atolaria. Tinha que passar no embalo.Era preciso um bom motorista e um carro possante. O bom motorista, era eu claro e o carro possante ............Bom, eu tinha 14BIS.
As crianças de olhos abertos caladas. Eu, atenta, firme no volante e rezando para que tudo desse certo.
Em casa,agradeci a Deus por estarmos bem.
Eu, meus filhotes e o FIAT 147 placa RJ 1414 batizado carinhosamente por uma grande amiga de 14 BIS.
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