sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sabor de jabuticaba

Acabo de receber um pps lindo! Confesso que a maioria deles, eu abro e não chego até o fim. Mas este era muito simples e delicioso. A mensagem falava de um tempo na nossa vida que só o essencial importa. Faz uma analogia com as jabuticabas colhidas por um menino, que as come vorazmente até se dar conta que estão acabando. Nesse momento, começa a deliciá-las lentamente.
Quando chegamos a uma certa idade precisamos nos deliciar com a vida.
No final, a imagem de uma jabuticabeira repleta de frutos me fez voltar ao tempo que ainda estava devorando a vida.
Devia ter uns 10 anos talvez quando subi pela primeira vez num pé de jabuticaba. Estávamos visitando a fazenda da minha tia em Matias Barbosa.
Tenho ainda na cabeça a imagem daquela casa imensa, com um corredor interminável, com várias portas proibidas. Na frente do casarão, havia um grande pátio que servira nos áureos tempos para secar o café mas parecia então, apenas um estacionamento ou o lugar perfeito para correr brincando de pique. Na lateral da casa um corredor estreito levava a uma escada cheia de limo e escondida pelas plantas mal cuidadas. Ao descer, uma alameda de jabuticabeiras desvendava um cenário de filme. Eram muitas, carregadas de frutos e plantadas em filas deixando um caminho no meio.O chão era de barro, coberto de folhas secas e salpicado de jabuticabas que caiam do pé. Algumas já amassadas, outras picadas por passarinhos outras ainda inteiras. Andei por entra as árvores sentindo uma mistura de medo,curiosidade e deslumbramento. Para qualquer lado que se olhasse a visão era a mesma. Filas e filas de jabuticabeiras. O cheiro era de fruta e folha molhada. O ar era muito úmido, frio e tudo muito sombrio. Aos poucos, o medo passou e a vontade de colher as jabuticabas foi aumentando. Não tinha onde colocá-las mas podia comer ali mesmo. Sem exitar subi em uma das árvores, só para pegar as maiores. Estavam doces e seu gosto me vem até hoje à boca. Mas nem tudo pode dar certo quando se está fazendo uma arte de criança. Ao descer, segurei num tronco bem em cima de um marimbondo que me deixou o ferrão, causando uma dor que nunca tinha sentido.
Corri de volta pra casa e recebi os cuidados do meu tio.
A dor passou e o essencial ficou: a doce lembrança.

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